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A $ifrão é uma banda de rock autoral de Maceió, Alagoas, formada em 1997 e reconhecida como uma das formações de longa trajetória da cena independente alagoana. Ao longo de mais de duas décadas, o grupo construiu uma identidade musical própria, transitando pelo rock, pop rock, reggae e outras referências que se incorporaram à sua sonoridade ao longo dos anos.
Fundada e liderada pelo músico, compositor e vocalista Marcos Bruno, a Sifrão surgiu no contexto de uma cena de rock alagoana que ganhava força durante os anos 1990. Desde o início, a proposta esteve ligada à criação autoral e à construção de uma carreira independente, tendo como ponto de partida o rock, mas sem se limitar a uma única linguagem musical.
O primeiro registro da banda foi o álbum Lançamento Vertical, lançado em 1997. O trabalho marcou a entrada da Sifrão na cena musical e foi sucedido por uma sequência de produções que ajudaram a consolidar a trajetória do grupo: Dialeto do Mar (2000), Pra Frente (ao Vivo) (2002), Além do Vento (2005), $ifrão Promocional (2007), Eu Vou Te Procurar (2011) e Pra Ela (2017).
Nos primeiros anos, a banda também incorporou elementos do ska, chegando a conquistar seu primeiro cachê justamente com uma apresentação baseada nesse ritmo. Com o amadurecimento do grupo, a sonoridade passou a se aproximar cada vez mais do pop rock e do reggae, mantendo, entretanto, a característica autoral que acompanha a Sifrão desde sua formação.
A produção musical da banda é marcada por letras que abordam relações humanas, sentimentos, escolhas pessoais, cotidiano, política e questões existenciais. Canções como “Além do Vento”, “Sei Lá”, “Nos Teus Olhos”, “AL 101 Sul”, “Zero à Esquerda”, “Cidadão Comum” e “Não Tem Meio Termo” representam diferentes momentos dessa trajetória.
Entre essas composições, “AL 101 Sul” ocupa um lugar particularmente ligado à experiência pessoal de Marcos Bruno. A música surgiu durante seus deslocamentos para um estágio na Praia do Francês, quando o compositor aproveitava o tempo de espera e de viagem para escrever. O resultado foi uma composição que transforma o percurso pela rodovia em narrativa musical, reunindo observação cotidiana, busca pessoal e fé na música.
Já “Cidadão Comum”, composta em 2005, apresenta uma dimensão mais política na obra da banda. A canção aborda o despreparo e o desrespeito dos governantes e a luta por direitos iguais, demonstrando que a produção da Sifrão também encontra espaço para reflexão social e cidadania.
A história da banda não ficou restrita a Alagoas. Ao longo de sua trajetória, a Sifrão chegou a residir em Minas Gerais e em São Paulo, experiências que contribuíram para o amadurecimento artístico e profissional do grupo. Mesmo fora de seu estado de origem, a banda manteve sua ligação com Maceió e com a produção musical alagoana.
20 anos de história
Um dos momentos mais importantes dessa trajetória aconteceu por ocasião dos 20 anos da Sifrão. Para celebrar duas décadas de carreira, a banda realizou um registro audiovisual no Teatro Deodoro, um dos espaços culturais mais importantes de Alagoas.
O espetáculo reuniu músicas de diferentes períodos da carreira e também algumas composições que ainda não haviam sido registradas. O projeto deu origem a um DVD que documenta a trajetória da banda e apresenta diferentes fases de sua produção musical.
Na formação registrada naquele período estavam Marcos Bruno, na guitarra, violão e voz; Thiago, na percussão e efeitos; Filipe Mariz “Possa”, nos teclados; Fellipe “Chase”, na guitarra e backing vocal; Filipe Gomes “Caubi”, na bateria; e Alex “Laranja”, no contrabaixo e backing vocal.
O registro também contou com uma participação importante na produção musical: algumas faixas tiveram coassinatura de produção de Fernando Nunes, baixista alagoano conhecido por seu trabalho com artistas como Zeca Baleiro e, anteriormente, Cássia Eller.
Firme: maturidade e permanência
A trajetória da Sifrão ganhou novo capítulo com o álbum Firme, apresentado como o oitavo álbum da banda. O trabalho sintetiza o amadurecimento musical alcançado pelo grupo depois de mais de duas décadas de atividade.
Na formação associada ao álbum aparecem Marcos Bruno nos vocais e guitarra, Filipe Mariz nas guitarras, teclados e backing vocal, Thiago André na percussão e Fellipe Chase na bateria, guitarras e backing vocal. Segundo Marcos Bruno, o disco representava um dos trabalhos mais expressivos e emocionantes da história da banda.
Produzido durante a pandemia, Firme também simboliza a capacidade de permanência da Sifrão diante das transformações do mercado musical e das dificuldades enfrentadas pelos artistas independentes. O próprio conceito do álbum se relaciona à ideia de continuar produzindo e seguindo adiante mesmo depois de 25 anos de trajetória.
Presença na cena cultural alagoana
A atuação da Sifrão ultrapassa a produção fonográfica. A banda possui histórico de participação em projetos culturais e eventos públicos de Alagoas. Em 2018, por exemplo, foi contratada pela Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas para apresentações no projeto Cultura nos Bairros, em Maceió.
A banda também continua aparecendo em programações culturais de grande porte. Em 2025, a Sifrão integrou a programação do Verão Massayó, festival promovido pela Prefeitura de Maceió, dividindo o palco com nomes nacionais como Sorriso Maroto, Matuê, Millane Hora e Chrigor.
Documentos oficiais mais recentes também mostram a continuidade da atuação profissional da banda. Em 2026, a Sifrão aparece em registros de seleção cultural com o projeto Sifrão — Pelo que vale à pena, demonstrando que o grupo permanece ativo na produção e circulação de sua obra.
Uma banda que atravessa gerações
Com quase três décadas de existência, a Sifrão ocupa um lugar particular na música alagoana. Sua história acompanha diferentes momentos da cena independente de Maceió: dos anos 1990, quando o rock autoral encontrava novas possibilidades de expressão no estado, passando pelos anos 2000 e 2010, até a atualidade, marcada por novas plataformas digitais, editais culturais e formatos de circulação.
A longevidade da banda é um de seus principais elementos de identidade. Ao invés de permanecer presa a uma única formação ou sonoridade, a Sifrão atravessou diferentes fases, incorporando novas influências e mantendo como eixo central a composição autoral.
Suas canções combinam experiências pessoais, afetos, cotidiano, crítica social e reflexões sobre escolhas e caminhos. É uma produção que nasce da experiência dos próprios integrantes e que, ao longo dos anos, transformou a história da banda em parte da memória do rock e da música independente de Alagoas.
Hoje, a Sifrão/$ifrão pode ser compreendida como uma banda de resistência e continuidade: um projeto que nasceu em Maceió em 1997, atravessou diferentes cidades, formações, tendências e transformações da indústria musical e permanece ligado à criação autoral.
Sua trajetória representa não apenas a história de uma banda, mas também uma parte da própria história da música independente alagoana, construída com persistência, experimentação e uma relação profunda com a cidade, com o público e com a liberdade de fazer música.
Principais trabalhos
• Lançamento Vertical — 1997
• Dialeto do Mar — 2000
• Pra Frente (ao Vivo) — 2002
• Além do Vento — 2005
• $ifrão Promocional — 2007
• Eu Vou Te Procurar — 2011
• Pra Ela — 2017
• Firme — álbum de maturidade da banda
• DVD Sifrão 20 Anos — registro ao vivo no Teatro Deodoro
Entre as músicas associadas à trajetória da banda estão “Além do Vento”, “Sei Lá”, “Nos Teus Olhos”, “AL 101 Sul”, “Zero à Esquerda”, “Cidadão Comum”, “Não Tem Meio Termo”, “Groove da Orla”, “Princesa” e “Seu Valor”.
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