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May Honorato é cantora, compositora, escritora e artista alagoana, natural de Viçosa, no interior de Alagoas. Com uma trajetória marcada pela música autoral, pela poesia e pela experimentação artística, May vem construindo uma presença singular na cena cultural de Alagoas, especialmente a partir de sua atuação em Maceió, onde vive desde 2008.
Sua relação com a arte começou ainda na infância. Em Viçosa, May teve contato com manifestações tradicionais da cultura popular alagoana, como o Reisado e o Guerreiro, e começou a cantar ao lado dos irmãos em feiras públicas, festas comunitárias e teatros locais. A influência da poesia também esteve presente desde cedo, sobretudo por meio de seu pai, Audálio Honorato, poeta popular, cordelista e mestre do Patrimônio Vivo de Alagoas.
Antes de consolidar sua trajetória na música, May iniciou sua vida artística no teatro e na produção cultural. Em 2010, realizou seu primeiro show autoral, dando início a uma caminhada marcada pela composição e pela busca de uma linguagem própria. Sua obra passou a combinar a força da música popular alagoana com uma abordagem contemporânea, intimista e profundamente ligada à poesia.
Como compositora, May desenvolveu uma produção voltada para temas como memória, afetos, relações, solidão, autoconhecimento, liberdade e experiência feminina. Suas canções revelam uma escrita sensível e introspectiva, frequentemente acompanhada por uma interpretação marcada pela delicadeza e pela intensidade emocional. Ao longo de sua carreira, também estabeleceu parcerias com diversos nomes da música alagoana, entre eles Rodrigo Avelino, Júnior Almeida, David Ferreira, Jâneo Amorim e Del Cavalcanti.
Em 2020, May lançou Clarão, seu primeiro álbum. O trabalho mergulha nas memórias de sua cidade natal e estabelece uma relação direta com a poesia popular herdada de seu pai. O disco representa um momento importante de afirmação de sua identidade como compositora e intérprete na cena autoral alagoana.
Durante a pandemia, a artista aprofundou ainda mais seu olhar para o universo interior e para as relações familiares e afetivas. Esse processo deu origem a Estranho Familiar, lançado em 2022. O trabalho, composto por oito faixas, nasceu a partir da ideia freudiana do unheimlich — aquilo que é familiar e, ao mesmo tempo, provoca estranhamento. A experiência dos anos de isolamento tornou-se matéria para uma obra sobre emoções, autoconhecimento e os diferentes modos de olhar para dentro de si.
A experiência de Estranho Familiar também ganhou dimensão audiovisual. A música “Eu Me Levanto”, integrante do álbum, foi transformada em videoclipe durante uma oficina da 1ª Mostra Carambola Mulheres+ no Cinema. May participou da direção, produção, fotografia, arte, montagem, roteiro, performance e operação de câmera do projeto, evidenciando seu trânsito por diferentes linguagens artísticas.
Em 2024, May ampliou sua atuação para a literatura com o lançamento de Primeiro Diário da Água, seu primeiro livro. Publicada pela editora Toma Aí Um Poema (TAUP), a obra reúne pequenas crônicas, poemas e escritos que acompanham a personagem Clarice e exploram temas como primeiras paixões, relações, rejeição, vazio, liberdade e construção da identidade. O livro nasce de uma relação profunda da artista com a escrita e com a influência literária de seu pai.
No mesmo período, May lançou, em parceria com Del Cavalcanti, o projeto Minimúsicas, composto por sete faixas breves que percorrem temas como tempo, amor, criação, memória e existência. Entre as músicas estão “Para lá do que não se sabe”, “Decidi Fazer”, “Já é depois”, “Estrada”, “Outono”, “Reflexos” e “Peça de Vitrine”. O projeto reforça sua característica de experimentar formatos e aproximar música, poesia e reflexão.
A produção de May também ultrapassa sua própria discografia. Como compositora, suas canções já foram interpretadas ou gravadas por artistas como Wado, Mel Nascimento, Júnior Almeida, Wilma Araújo, Rafa Quintino e Jonas Porfírio, além de participações em trabalhos de outros artistas da música alagoana.
Sua trajetória profissional ainda concilia a arte com a formação na área da medicina. Pesquisas acadêmicas sobre a cena artística alagoana registram May Honorato como cantora, compositora e médica formada pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL).
Em 2025, May alcançou outro momento de destaque ao integrar o Projeto Seis & Meia, em Maceió, abrindo a apresentação da cantora Ana Cañas. Na ocasião, apresentou o espetáculo Estranho Familiar, acompanhada por Jâneo Amorim, Luis Amorim, Del Cavalcanti e Misael Dantas. A apresentação reafirmou sua posição como um dos nomes da música autoral alagoana contemporânea.
Hoje, May Honorato se apresenta como uma artista de múltiplas linguagens. Sua obra estabelece uma ponte entre música, literatura, teatro, audiovisual e cultura popular, sem abandonar suas raízes alagoanas. Da infância em Viçosa às experiências vividas em Maceió, sua produção transforma memórias, afetos e inquietações pessoais em uma linguagem artística que valoriza a intimidade, a poesia e a liberdade criativa.
Mais do que uma cantora e compositora, May Honorato representa uma geração de artistas alagoanos que ampliam as fronteiras entre linguagens e constroem sua própria trajetória de forma independente. Sua obra se destaca justamente nesse encontro entre o interior e a cidade, tradição e experimentação, música e literatura, memória e contemporaneidade.
Principais trabalhos
• Clarão — álbum, 2020
• Estranho Familiar — álbum/EP, 2022
• Cíclicas — single, 2023
• Síntese — single, 2023
• Carta — single, 2023
• Minimúsicas — projeto/EP com Del Cavalcanti, 2024
• Primeiro Diário da Água — livro, 2024
• Estrada — single, 2024
• Decidi Fazer — single, 2024
A discografia disponível nas plataformas digitais confirma a continuidade de sua produção autoral e reúne álbuns, EPs e singles lançados desde 2020.
May Honorato é, portanto, uma voz representativa da produção artística independente de Alagoas: uma compositora que transforma o íntimo em matéria de criação e que vem construindo, entre canções, livros e imagens, uma obra profundamente ligada à memória, à poesia e à experiência humana.
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